A primeira saída foi um choque. A constatação de que existe um mundo exterior além das suas habituais paredes revelou-se traumática. Levei-a ao colo ao estacionamento (na altura ainda não sabia descer escadas) e pousei-a no chão, antecipando o fervilhante abanar de cauda típico dos goldens. Nada mais errado. Rabinho entre as pernas e nem um passo em frente. Tremia de medo, literalmente, e daqui não saio, daqui ninguém me tira.
Não insisti e trouxe-a para casa, novamente ao colo, pois além de ainda não descer degraus, não sabia igualmente subi-los. Foi uma surpresa, confesso. Nunca pensei que se sentisse melindrada com tantos estímulos. Esta fobia seria debelada em mais duas ou três tentativas, mas isso será contado oportunamente.
Durante esta fase dei também início à sua socialização canina, levando-o a casa de um casal amigo que possui dois labradores machos, o Ruka e o Kiko. Não tinha "permissão" do veterinário para levá-la a lugares habitualmente frequentados por outros cães, com a excepção de casas particulares cujos donos tivessem os animais devidamente vacinados.
Bem, chegou assustada e assim se manteve durante quase todo o tempo, tentando sempre refugiar-se nalgum canto recôndito que lhe proporcionasse alguma segurança. Mesas, cadeiras, enfim, tudo o que lhe protegesse da sôfrega curiosidade dos anfitriões. O Ruka adoptava uma abordagem mais aprimorada mas o Kiko (o que se encontra na foto abaixo) tem a sensibilidade de um trabalhador da construção civil.
Apenas na parte final do convívio é que a Zuca se aventurava a explorar o jardim, embora nunca se afastando mais do que alguns escassos metros do refúgio adoptado. No geral creio que foi uma excelente experiência, pois neste aspecto terá de ser um outro cão a desempenhar o papel de professor (e não eu).
No regresso a casa revelou um grande desconforto com a viagem de automóvel, acabando mesmo por vomitar. Falta de hábito ou não, não sei, mas em breve poderei testá-la novamente.


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